Veículo: O Estado de S. Paulo | Caderno: Metrópole | Página: A22

| Seção: | Assunto: Saúde


Publicado em 06/08/20

Ministério garante que comprará a ‘1ª vacina’

Governo assegura que origem não será empecilho; modelo inglês é a maior aposta.

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Ministério garante que comprará a ‘1ª vacina’

Governo assegura que origem não será empecilho; modelo inglês é a maior aposta

  • O Estado de S. Paulo
  • 6 Aug 2020
  • Mateus Vargas /

MATEUS VARGAS/ESTADÃO

Primeiro teste. Larissa, médica, foi uma das cinco voluntárias para a vacina em Brasília

O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correa de Medeiros, disse ontem que o governo federal pretende comprar “a primeira vacina que chegar ao mercado”, independentemente do país que a produzir.

Em audiência na Câmara dos Deputados, Medeiros afirmou que nos próximos dias visitará o Instituto Butantã, que participa do desenvolvimento da vacina Coronavac com a empresa chinesa Sinovac Biotech. Também disse que o ministério já realizou reuniões para discutir a vacina em teste na Rússia.

A aposta do governo federal, por enquanto, é no modelo desenvolvido pela farmacêutica britânica Astrazeneca com a Universidade de Oxford. O governo espera receber 100 milhões de doses dessa vacina, cuja tecnologia de produção deve ser repassada ao Instituto BioManguinhos, da Fiocruz. Pelas redes sociais, no último dia 30, o presidente Jair Bolsonaro disse que seu governo está “no consórcio de Oxford” e não “daquele outro país”, sem citar a China.

Além de ser desenvolvida por empresa chinesa, a militância de Bolsonaro ataca a vacina testada no Butantã por ser uma aposta do governador João Doria (PSDB). Medeiros ponderou que, apesar de estar de olho em todas as drogas para imunização, o governo só comprará aquelas que apresentarem eficácia. “Talvez a que está em fase 3 ( de pesquisa) mais avançada seja a da Astrazeneca”, disse. Segundo o secretário, profissionais de saúde e pessoas de grupos de risco, como idosos e pessoas que apresentam outras doenças, devem ser priorizados na vacinação contra a covid-19.

Coronavac. A Universidade de Brasília começou ontem a testar a Coronavac chinesa. No primeiro dia, participaram do estudo cinco profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à doença. Ela é aplicada em duas doses, com intervalo de 14 dias entre elas. O estudo clínico no Brasil é coordenado pelo Instituto Butantã. Na capital federal, os testes são feitos em ambulatório do Hospital Universitário de Brasília, um dos 12 centros no Brasil que participam da fase 3 do ensaio. Os resultados apresentados na fase 2 de desenvolvimento foram considerados promissores pelos pesquisadores,.

A médica Larissa Bragança, de 33 anos, atua na UTI do hospital da UNB e foi uma das voluntárias no primeiro dia. “Na linha de frente, vejo como a doença é difícil de lidar. É muito urgente conseguir essa vacina.” Nesta etapa de estudos, é verificada a segurança e eficácia da droga. Em Brasília, a ideia é incluir no protocolo de pesquisa 850 voluntários.

O grupo responsável pela pesquisa abrirá um canal para cadastro dos interessados em receber a vacina. Esses candidatos devem trabalhar em serviço de saúde, atendendo pessoas com covid-19, e não ter contraído a doença, mesmo que de forma assintomática.

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