Veículo: Folha de S. Paulo | Caderno: Mercado | Página: A14

| Seção: | Assunto: Economia


Publicado em 06/08/20

Suécia se mantém aberta e encolhe menos, mas com mais mortes

PIB trimestral se contraiu 9%, queda mais suave se comparada à retração média de 12% nos países da zona do euro.

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Suécia se mantém aberta e encolhe menos, mas com mais mortes

PIB trimestral se contraiu 9%, queda mais suave se comparada à retração média de 12% nos países da zona do euro

A economia da Suécia apresentou desempenho melhor do que a da maioria dos países europeus, no pico da pandemia, ainda que tenha sofrido sua maior contração desde a Segunda Guerra Mundial. O país escandinavo parece ter se beneficiado de sua abordagem mais leve no combate ao vírus.

O PIB (Produto Interno Bruto) caiu em 8,6% no segundo trimestre, ante o trimestre anterior, de acordo com uma estimativa rápida da Statistics Sweden divulgada na quarta-feira (5). Mas a contração foi significativamente inferior à média de 12% registrada pelos países da zona do euro no período.

A grande economia europeia mais prejudicada foi a Espanha, que registrou uma contração de 18%; a economia da Alemanha se contraiu em cerca de 10%.

A Suécia ocupou posição central em um debate internacional acalorado sobre os méritos do lockdown como meio de conter a difusão do vírus.

O país se recusou a seguir o resto da Europa e decretar ordens formais de lockdown, e manteve suas escolas, restaurantes e fronteiras abertos, ao mesmo tempo instando as pessoas a trabalhar de casa e a manter distância segura umas das outras.

Depois de se tornar um dos poucos países europeus a registrar expansão econômica no primeiro trimestre, a Suécia continuou a ser exceção em abril, maio e junho –o pico da pandemia na Europa, até agora.

De acordo com estimativas rápidas anunciadas na semana passada, apenas a Letônia e a Lituânia apresentaram desempenho melhor, com contrações de 7,5% e 5,1% em seus PIBs no segundo trimestre, respectivamente.

David Oxley, economista sênior da consultoria Capital Economics para o mercado europeu, disse que a contração demonstrava que a Suécia não era “imune à Covid”. Ele acrescentou: “No entanto, a contração econômica [do país] no primeiro semestre do ano está em categoria muito distinta dos horrores que vimos em outras partes da Europa”.

Durante diversas semanas, no segundo trimestre, a Suécia apresentou a maior porcentagem de vítimas fatais da doença na Europa, com relação à população, e chegou a apresentar 20 vezes mais óbitos que a vizinha Noruega. Mas agora, seu número de óbitos em termos per capita está abaixo do de muitos países que impuseram lockdowns, como a Bélgica, Espanha e Reino Unido.

Economistas antecipam que a economia da Suécia se contraia por entre 4% e 5% este ano –uma projeção melhor do que a média da zona do euro e do que a de qualquer das grandes economias da região, e em linha com as estimativas referentes às vizinhas Noruega e Dinamarca, que realizaram lockdowns.

Na quarta-feira, economistas do banco sueco SEB atualizaram suas projeções quanto ao PIB sueco este ano para uma contração de 4%, ante projeção anterior de queda de 5%.

“Ainda é cedo demais para avaliar como diferentes estratégias para lidar com a Covid-19 afetaram as economias”, disse Torbjorn Isaksson, analista chefe do grupo Nordea.

O banco central sueco manteve sua principal taxa de juros em zero, depois de elevá-la no final do ano passado, e argumentou que a política monetária não é o melhor instrumento para combater os efeitos econômicos do coronavírus.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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