Veículo: Folha de S. Paulo | Caderno: Mercado | Página: A14

| Seção: | Assunto: Economia


Publicado em 03/08/20

A princípio é ele, diz Bolsonaro sobre nome de novo presidente do Banco do Brasil

André Brandão, do HSBC, foi escolhido pelo governo para presidir banco no lugar de Rubem Novaes.

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A princípio é ele, diz Bolsonaro sobre nome de novo presidente do Banco do Brasil

André Brandão, do HSBC, foi escolhido pelo governo para presidir banco no lugar de Rubem Novaes

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse neste domingo (2) que "parece que está fechado" o nome do escolhido para comandar o Banco do Brasil: o executivo André Brandão, do HSBC.

"A princípio é ele. Vou falar com o Paulo Guedes amanhã", disse Bolsonaro sobre reunião que tem com o ministro da Economia na tarde desta segunda-feira (3).

"Você sabe que eu tenho total confiança no Paulo Guedes. A escolha é dele. Ele que sabe como vai funcionar o Banco do Brasil", afirmou o presidente ao parar em uma padaria no Lago Norte, área nobre de Brasília, por onde passeou de moto —e sem máscara— na manhã deste domingo.

O nome de André Brandão foi informalmente comunicado a dirigentes do banco pelo Palácio do Planalto. A confirmação de Brandão à frente da instituição, porém, ainda depende de um rito que deve levar em torno de uma semana.

O estatuto social estabelece que o chefe do Banco do Brasil é nomeado pelo presidente da República —portanto, cabe a Jair Bolsonaro oficializar a escolha.

O Palácio do Planalto precisa comunicar oficialmente ao BB a escolha do nome. Na sequência o banco submete o nome ao comitê de exigibilidade.

Caso seja aprovado, o nome volta ao Planalto, que publica a escolha no Diário Oficial da União. Por último, o Banco do Brasil deve informar, em fato relevante (comunicado ao mercado) o nome de seu novo presidente, que substituirá Rubem Novaes, que anunciou a saída do comando da instituição no dia 24 de julho.

Novaes defendia a escolha de um dos vice-presidentes do próprio banco para o seu lugar, e indicou os nomes de Fábio Barbosa e Mauro Ribeiro Neto em sua carta de demissão apresentada a Paulo Guedes.

O ministro, no entanto, queria alguém de mercado, com perfil parecido ao do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto —e o nome de André Brandão se encaixaria neste perfil.

Novaes deixou o banco afirmando que "a companhia precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário".?

 

Novo presidente do BB fez carreira no atacado e participou da venda do HSBC Brasil

Fernanda Perrin

2-3 minutos


Escolhido para substituir Rubem Novaes na presidência do Banco do Brasil, um dos principais bancos de varejo do país, André Brandão tem uma carreira de mais de 30 anos no mercado financeiro, atuando principalmente com o atacado do setor bancário.

Entre 2012 e 2016, Brandão foi presidente da filial brasileira do HSBC, período no qual o banco encerrou sua operação no varejo no país. Em 2016, o HSBC Brasil foi comprado pelo Bradesco por US$ 5,2 bilhões (o equivalente a R$ 17,6 bilhões na época).

Desde então, o executivo foi realocado para Nova York. Entre 2016 e 2018, ele foi responsável pelas áreas de global banking and markets do HSBC para a Europa. Em seguida, ocupou a mesma área voltada para as Américas (Canadá, EUA e América Latina), posição em que esteve até agora.

O HSBC passa por um processo de reestruturação, anunciado no início do ano. Além do plano de corte de 35 mil postos, o banco também quer redirecionar seu foco para Oriente Médio e Ásia, região responsável por cerca de metade da receita do banco e maior parte dos lucros.

Brandão também esteve envolvido com a agenda ambiental, chefiando o conselho de negócios do clima do HSBC. Em nota de divulgação de uma pesquisa feita sobre o tema, de 2016, o executivo brasileiro apontou a necessidade de maior transparência das empresas nessa frente para impulsionar investimentos verdes e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.

Recentemente, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tem sofrido pressão de investidores estrangeiros e empresários diante dos dados de aumento do desmatamento da Amazônia e outros problemas ambientais.

Brandão está no HSBC desde 1999. Antes, trabalhou por 11 anos no Citibank em São Paulo e Nova York. Ele é formado em ciência da computação pela Universidade Mackenzie.

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