Veículo: O Estado de S. Paulo | Caderno: Especial | Página: 6

| Seção: Não Especificado | Assunto: Educação

Investimento: R$ 73620 | Nº de Colunas: 1

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Publicado em 31/01/21

Ateração na rotina dos estudantes veio para ficar

Para João Guilherme Porto, diretor da Faculdade Arnaldo, de Belo Horizonte, não se pode afirmar que professores e alunos não interagiram em 2020. “O sistema que foi adotado pela maioria das instituições de ensino, e nos diversos segmentos, é um sistema interativo”, destaca Porto.

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ALTERAÇÃO NA ROTINA dos estudantes veio para ficar

 

A universidade é o primeiro passo em direção à carreira profissional. Nas salas de aula, além do conhecimento técnico, os estudantes costumam ter o primeiro contato com a área que pretendem atuar e a interação com os colegas contribui de forma decisiva para a formação profissional. Mas 2020 foi totalmente diferente. As salas de aula deram lugar ao ensino remoto e a convivência social foi substituída pelos contatos virtuais.

A relação entre alunos e professores teve de ser repactuada para que a essência do aprendizado, ou seja, a relação franca para que a troca de conhecimento ganhe fluidez, não fosse totalmente perdida. A adaptação ao novo contexto, no entanto, não foi nada simples, admite Leonardo Rodrigues de Moraes, CEO da BSSP Centro Educacional, da cidade de Goiânia. “Confesso que no início foi difícil, pois o professor tradicional (sala de aula presencial) é muito sinestésico, ou seja, precisa desse contato presencial com os alunos, mas isso é apenas um paradigma a ser quebrado. Os recursos tecnológicos ajudaram também, tivemos que nos reinventar, e com isso descobrir metodologias ativas que aumentam a interatividade dos alunos com o professor, com uma eficácia de aprendizagem elevada”, diz o professor.

As inevitáveis perdas de competências que ocorreram com a ausência do convívio social universitário são inerentes ao processo, segundo Adriana Karam, presidente do Grupo Educacional Opet e reitora da UniOpet, de Curitiba. Segundo ela, entretanto, os desafios impostos pelo ano de 2020 também trouxeram aprendizados que não podem ser descartados. “É certo que nem tudo o que havíamos planejado de aprendizagens para os estudantes aconteceu. Seria leviano dizer que as instituições de ensino ou escolas conseguiram desenvolver todas as competências previstas no início do ano, mas posso afirmar que houve muitas aprendizagens não previstas, e que não seriam possíveis caso não passássemos pelo que passamos. Então, vamos trabalhar para recuperar o que precisa ser recuperado e manter o que foi aprendido”, afirma.

Independentemente do que o futuro indicar, estreitar relações por meio do convívio social feito via tecnologia é um dos legados que a pandemia vai deixar. “A falta de convivência social trará sim mais dificuldade para o engajamento no ambiente de trabalho. Por outro lado, as pessoas aprenderam a se relacionar pela tecnologia. E isso pode ser um ganho para quem precisar interagir com pessoas que estão em outras cidades ou países”, diz Flora Alves, especialista em aprendizagem.

Para João Guilherme Porto, diretor da Faculdade Arnaldo, de Belo Horizonte, não se pode afirmar que professores e alunos não interagiram em 2020. “O sistema que foi adotado pela maioria das instituições de ensino, e nos diversos segmentos, é um sistema interativo”, destaca Porto.

Lado emocional

Se professores e gestores da área educacional tiveram de se readequar ao novo momento, aos alunos, coube, quando possível, se adaptar o mais rapidamente. “Temos que entender que em um momento tão caótico é importante sim estudar. Pois o mercado de trabalho não para”, afirma Iara Borges Souza, estudante de Gestão de Pessoas. Para ela, o principal desafio, que deve continuar em 2021, é otimizar o tempo e o lado emocional.

Após todas as transformações de 2020, o ano de 2021 não deve ser muito diferente para alunos e professores, pelo menos no primeiro semestre. Mas o aprendizado obtido até aqui, afirma Leonardo Moraes, da BSSP Centro Educacional, vai ser muito útil.

“As expectativas são as melhores, pois com as dificuldades enfrentadas em 2020 foi possível identificar os acertos e erros e criar uma metodologia adequada à realidade dos estudos online. Os alunos estão menos resistentes, inclusive durante as aulas, e houve vários feedbacks do tipo: 'Mesmo após a pandemia, as aulas poderiam continuar neste formato'”, afirma o executivo.

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