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Publicado em 12/01/21

Banco do Brasil aprova reorganização que prevê fechar 112 agências e desligar 5 mil funcionários

O Banco do Brasil (BB) informou ao mercado nesta segunda-feira (11), que aprovou um plano de reorganização para ganhos de eficiência operacional que prevê, entre outras medidas, o fechamento de 112 agências da instituição, além da criação de um Programa de Adequação de Quadros (PAQ) e de um Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), que alcançaria em torno de  5 mil funcionários.

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Banco do Brasil aprova reorganização que prevê fechar 112 agências e desligar 5 mil funcionários

Publicação: 2021-01-12 00:00:00

 

Felipe Laurence

Agência Estado

 

O Banco do Brasil (BB) informou ao mercado nesta segunda-feira (11), que aprovou um plano de reorganização para ganhos de eficiência operacional que prevê, entre outras medidas, o fechamento de 112 agências da instituição, além da criação de um Programa de Adequação de Quadros (PAQ) e de um Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), que alcançaria em torno de  5 mil funcionários. O banco diz que a implementação plena das medidas deve ocorrer durante o primeiro semestre deste ano. O banco não informou os locais onde as agências serão fechadas ou convertidas em postos de atendimento. 

 

Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O plano de reorganização prevê ganhos de eficiência e otimização em 870 pontos de atendimento do País, com a desativação de 361 unidades (112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento), a conversão de 243 agências em postos de atendimento e oito postos de atendimento em agências, transformação de 145 unidades de negócios em Lojas BB, sem guichês de caixa, relocalização compartilhada de 85 unidades de negócios e criação de 28 unidades de negócios (14 agências especializadas agro e 14 escritórios leve digital).

 

Para o vice-presidente corporativo do BB, Mauro Neto, as medidas se somam a outras já em andamento para otimizar despesas e aumentar a eficiência operacional, como a devolução e venda de prédios corporativos, otimização de espaços físicos, medidas de eficiência energética e novo plano de cargos e salários, que trarão R$ 3,3 bilhões de reais em redução de despesas até 2025.

 

"As ações que anunciamos hoje baseiam-se em captura de eficiência decorrente de investimentos em digitalização, incluindo robotização e inteligência artificial, e na centralização e simplificação de processos de backoffice, que nos permitem realocar mais recursos para a linha de frente de atendimento aos clientes e geração de novos negócios", disse o executivo em nota enviada ao Estadão/Broadcast. "Estas medidas buscam uma experiência mais leve e dinâmica aos nossos clientes e fortalecem o banco frente aos desafios presentes e futuros da indústria financeira." A economia líquida anual estimada por estes movimentos é de R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025.

 

Além disso, o banco aprovou um Programa de Adequação de Quadros (PAQ) para otimizar a distribuição da força de trabalho, equacionando as situações de vagas e excessos em suas unidades, e um Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), disponível a todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos. "A estimativa do BB é que cerca de 5 mil funcionários venham a aderir aos dois programas de desligamento", diz o banco em nota, complementando que o número final de adesões, assim como o respectivo impacto financeiro, serão informados após o encerramento dos períodos de adesão, que ocorrerá até 5 de fevereiro.

 

A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) cobrou a revisão das medidas que integram o plano de reestruturação. Em carta encaminhada nesta segunda ao presidente do BB, André Guilherme Brandão, a ANABB diz que as medidas transmitem uma percepção de "cortina de fumaça" para encobrir intenções privatistas em torno do Banco do Brasil.

 

Para a entidade, o esvaziamento do BB e o enfraquecimento de sua atuação em áreas chave de negócios comprometem sua solidez e seu papel de banco público. "Uma forma de se desfazer de patrimônio público é ir, gradativamente, enfraquecendo as empresas e comprometendo seu desempenho", acusa o presidente da ANABB, Reinaldo Fujimoto, na carta encaminhada ao BB em que cobra transparência no processo.

 

Fujimoto alerta que a medida trará reflexo negativo para milhões de clientes do banco, desconsiderando a realidade brasileira, a dimensão geográfica do País e a necessidade de manter atendimento presencial para milhares de brasileiros. Para a ANABB, em meio à maior crise econômica do País, as medidas anunciadas prejudicam diretamente os recursos humanos do BB e sobrecarregam a rede de funcionários.